11/11/2016Peixes e pedras na cabeça

Lá vem o homem pela calçada. Tem pressa. Foge do tempo. Caminha rápido, como um menino que desde sempre saltasse sobre as pedras. É o escultor João Bez Batti. Traz nas costas um baú cheio de tempo, pedras, cabeças e agora também muitos peixes sonhados em noites de vigília. Traz também uma notícia: ao completar 76 anos, ele volta a expor ao público, nos meses de outubro e novembro. Bez Batti abre o baú para revelar suas piscianas, como ele tem chamado sua nova série de esculturas feitas na mais dura pedra: o basalto.

                “Tenho sonhado muito com peixes”, conta Bez Batti. “É a segunda vez que comemoro o meu aniversário com uma exposição”. As datas para esta celebração especial do escultor junto ao seu público são os dias 8 de outubro e 11 de novembro – dia do seu aniversário –, quando serão abertas, respectivamente, exposições do escultor em Porto Alegre e Caxias do Sul, nas galerias Delphus e Arte Quadros (ver serviço).

                Nas duas exposições comemorativas ao aniversário de Bez Batti, aos olhos do público estarão cerca de 10 esculturas piscianas e outro tanto de cabeças fortemente influenciadas pela obra de Picasso, com ênfase no cubismo. São duas séries e obsessões oníricas atuais do escultor: as cabeças piscianas e picassianas. “A cabeça diz tudo de uma pessoa. Quando eu vejo alguém, eu observo muito a cabeça, o rosto. Daí eu já sei o que a pessoa é”, diz João Bez Batti.

                As cabeças são obras por excelência dos escultores, desde os povos primitivos. No ofício de Bez Batti, as cabeças – brutas, polidas, agônicas ou flutuantes – resultam de uma potente e incansável luta com o mundo, pois bem sabemos da natureza densa, dura e quase insondável da matéria escolhida: o basalto.

Talvez por isso o jovem escultor prestes a fazer 76 anos ainda caminhe tão ligeiro por aí, entre um café com Picasso ou algum devaneio pisciano; entre ponteiros, marretas, desenhos, pedras, sonhos e ataques ao basalto. “A minha sorte é que, na história da arte, os escultores costumam viver mais que os pintores”, brinca João Bez Batti, andando a passos ligeiros, fugindo do tempo.  (André Costantin)

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