08/09/2016Flora

O quadro! A tela! Eis o resultado final da produção do artista. Muito além do que é percebido no olhar do espectador, seduzido pela vibração das cores e das estampas vivas e florais da obra de Jane de Bhoni, a pintura vista é apenas a ponta do iceberg de todo um processo criativo que inicia na mente da artista e ganha materialidade, geralmente através do desenho.

 

Até a etapa final, muitas camadas de pensamento riscadas à lápis antecedem a cobertura pictórica colorida de suas “floras”.

 

Nesse universo pictórico, o feminino se origina nos tons de cinza do grafite e termina na ponta dos pinceis, que se espalha em múltiplos padrões, tecidos, bordados ou coloridos, tal qual a vida.

 

Flora diz respeito ao feminino, ao conceito da flor, de uma e de todas.

 

Do desenho à pintura, um instante separa um resultado do outro. Duas obras, dois finais para um pensamento tornado imagem. Como na natureza, a flora é essencial, e é bela! Há que se pensar que a vida, na sua infinidade de momentos sem cor, pode tornar-se “flora”.

 

E se a estética nos remete à felicidade dos olhos, que vibram nas irradiações de cor das estampas e padrões deste conjunto feminino, não cabem superficialidades técnicas para esse resultado. No traço original, a previsão do todo, nas pinceladas, o gesto definitivo e o controle absoluto da pintura.

 

 

Silvana Boone

Doutora em Artes Visuais

Professora na Universidade de Caxias do Sul

 

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