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VICTOR HUGO PORTO

VICTOR PORTO

Nasceu em Caxias do Sul (RS) em 19 de outubro de 1954.

Comecei a pintar quando era ainda criança, sempre gostei é lógico que depois de alguns anos comecei a fazer isto profissionalmente.

Foi quando iniciei com gravuras em técnicas mistas depois com desenhos em preto e branco e finalmente com pinturas sobre tela.

No inicio era natureza morta depois fez paisagens e hoje trabalha com a figura feminina no estilo cubista expressionista.

Pode-se dizer também que é uma arte contemporânea. Meu trabalho retrata a figura feminina em seu cotidiano. São mulheres gordinhas cheias de sensualidade, muito coloridas e com traços marcantes. Trabalho na técnica do acrílico sobre tela.

Atualmente divido meu tempo com pinturas, gravuras, e começando a fazer esculturas que em breve farei o lançamento.

Os cabelos são quase sempre coloridos. “Porque a mulher tem a cabeça mais aberta, mais colorida. Ela enxerga tudo. Enquanto o homem só vê o que está na frente dele.” 

As mulheres dos quadros também têm outras características em comum: a boca que salta para fora do rosto e o olhar sempre para um lado, nunca para frente, encarando quem as observa. “A boca, porque a mulher sempre fala muito,” explica o artista, dizendo que ele não tem esse mesmo comportamento: “Eu sou um cara bem quieto, não falo muito. Sou bem normal, até. Para louco, falta muito.” O olhar ele chama de “à procura”, já que todos estão sempre procurando algo a mais. Este “estar sempre à procura”, diz ele, é também uma de suas características.

A obra de Victor Hugo Porto por María Remesal Estévez Rossato – Historiadora e Crítica de Arte

Qualquer uma pessoa inserida no circuito da arte poderia dizer que o trabalho do Victor Hugo é “Marca Registrada”. O artista Caxiense tem conseguido criar um estilo perfeitamente reconhecível e que senta que nem uma luva á idiossincrasia da Serra Gaúcha. Conseguiu unir o imaginário cultural, o gosto pela figuração e a cor intensa, criando composições que ilustram com grande destreza o que há de comum nas almas de essa nossa sociedade que foi fundada por tantas outras. A mistura certa, diria eu.

Importante é o compromisso do autor com o seu tempo, os quadros do Victor Hugo propõem uma experiência de vida desde o interior da sociedade aceitando a sua própria temporalidade e sintetizando o sucessivo e o diverso. A sua emblemática mulher mostra sem pudor os aspectos mais insignificantes e mundanos da nossa realidade, mas não é obvia, a receita já foi testada e não tem erro; se enfrentam a brutalidade da linha preta e grosa á suavidade das curvas dos pescoços inclinados - que não tem como não me lembrar do grandíssimo Modigliani1 - , a chatizie vácua do cotidiano ás miradas reflexivas de soslaio, a realidade grotesca das formas anatômicas opulentas ao complexo jogo da mulher especular, da mulher que aparece é se esconde, que acreditas achar mas se descompõe. Essa similitude e diferencia da mulher que o Victor pinta cria um desconcerto no espectador que acha reconhecer alguém no primeiro olhar (tal vez ele mesmo, ou então o reflexo da sua sociedade) mas que erra, pois depois de uma olhar mais apurado não consegue identificar a pessoa. É a dinâmica da nossa sociedade onde a proximidade física, ou até os relacionamentos interpessoais, não trazem o encontro do um com u outro.

 Poderíamos falar de um complexo relacionamento entre o Victor Hugo e o cubismo. Seus quadros apresentam a maioria das características puramente cubistas (rejeição do espaço pictórico ilusionista, diversidade de pontos de vista, uso de facetas e valores de superfície e percepção corporal) porém analisando essas características chegamos facilmente a conclusão de que o objetivo –ou tal vez a concepção - e bem diferente do proposto por Picasso2 e Braque3 quando estabeleceram o código. Vejamos: é fácil encontrar líneas e facetas no fundo das obras do Victor Hugo que nos remetem ao seu uso primogênito - conectar as visões simultâneas para dar as relações espaciais do corpo com o entorno sem recorrer ao uso da perspectiva ou profundidade tradicionais - é isso realmente se cumpre a rigor em muitas das suas obras, mas não parece dogma de fé no autor pois em tantas outras ilustra, complementa a figura, com um espaço ilusionista tradicional respeitando até as formas pré-cubistas de perspectiva - e sim, estou falando do Cezanne4-.

 Outro dos pontos interessantes de este controversial relacionamento é a simultaneidade dos pontos de vista; não é difícil achar, na obras do Victor Hugo, alguns dos elementos faciais mais expressivos –boca e olhos- desrespeitando as leis da perspectiva tradicional e se ajeitando no plano a vontade, mas não fica claro que a intenção do autor seja a fusão do objeto e o espaço para uma completa percepção corporal como os cubistas pretendiam, no caso no Victor parece mais um recurso expressivo na construção do um objeto conceitual. Uma influencia cubista muito mais normativa do que filosófica, que nos leva ao seguinte ponto: a cor.

 Falando em influencias cubistas o leitor deve ter pensado numa certa rejeição da cor, nada mais longe da realidade. A cor do Victor Hugo é Fauve5, a sua pincelada é violenta, espontânea e definitiva, e a sua cor brutal. Apresenta uma automização completa do real que pretende a sensação física da cor, que é subjetiva, antes do que corresponder à realidade. O figurativo que evade a mimeses, a mulher, o cotidiano, a cor desbordante e a peculiar concepção espacial são os ingredientes da formula, o resultado: é só olhar.

 

 

CURSOS MINISTRADOS

Curso de Técnicas para Fabricação de Materiais de Pintura, Galeria Pampa, Pelotas (RS)

Curso de Pintura Acrílica, Galeria Arte Quadros, Caxias do Sul (RS)

Curso de Técnica Pastel Seco Encerado, Galeria Pampa, Pelotas (RS)

Curso de Desenho Figura Humana, Ampliato, Caxias do Sul (RS)

Curso de Desenho Figura Humana, Atêlier Livre, Vacaria (RS)

 REVISTA ACONTECE – 2015

 

 

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