ADELIO SARRO

ADELIO SARRO

     Sarro, pintor e escultor, nasceram em 1950 em Andradina (SP), Brasil.
Após o ano 1972, Sarro apresenta as suas obras em muitas exposições individuais, em excelentes Galerias e Centros Culturais em todo o Brasil. Ele participou também regularmente em grandes eventos culturais internacionais.

A história artística do paulista Adélio SARRO Sobrinho, nascido em 1950, tem o marco zero: aos 4 anos subiu num caixote de madeira, olhou com uma curiosidade impetuosa para a imagem de um Sagrado Coração de Jesus, impresso num calendário, e a reproduziu. Um perspicaz sacerdote conferiu o desenho infantil e profetizou: “esse menino vai ser artista”. O garoto, filho de agricultores de origem italiana e portuguesa, começou assim a vislumbrar, por meio de incentivos e do próprio contato sensível com a vida no campo, o seu destino ligado às artes. O que era árduo nas circunstâncias passou a ser filtrado com contundência na sua representação artística.
Aos 8 anos SARRO teve uma das experiências mais marcantes dessa fase de iniciação - tirada da dura vivência no ambiente rural. Com sua família mudou-se para o interior de Goiás. Uma exigência do meio social: a busca de melhores oportunidades. A distância descomunal de onde nasceu ficou marcada na memória. Foram 13 dias em cima de um caminhão. Uma eternidade, uma viagem sem fim. “Eu só via mato o tempo todo e tinha até índio”, lembra o artista. Vale observar que muitas das imagens da obra de SARRO têm correspondência plástica e poética nesse capítulo.
Tempos depois foi morar numa fazenda, de volta ao Estado de São Paulo. “Foi um período de pobreza e limitações”. E mais imagens se acumularam em sua memória de criança. Pelas dificuldades financeiras, a família de SARRO se deslocou mais uma vez. “Para ajudar em casa eu pegava papel e cacos de vidro na rua”, recorda. Desses primeiros anos rudes se somam a perda de um irmão, em seu nascimento, a queda do pai do telhado de uma casa enquanto trabalhava como pedreiro e a mãe, Natalina Silva Sarro, lavando roupa para garantir o sustento da família.
Início da adolescência. A fase dos desenhos sacros.

Em 1964, SARRO muda-se mais uma vez de cidade. Dessa vez vai só e com a intenção de se tornar religioso. Ele passa a ser educado no Seminário Seráphico São Fidélis, na cidade paulista de Piracicaba. Como ele tinha um primo que também estudava no seminário, ficou facilitada sua ida e permanência na nova residência. O objetivo familiar era de vê-lo com batina e num púlpito pregando. “Foi um ano em que fiquei solitário”, relembra. Mas nada improdutivo ou que nada atingisse sua sensibilidade.
       SARRO ganha o olhar religioso e exerce o talento artístico através da arte sacra. Nas horas de silêncio desenha obstinadamente sobre papéis as figuras de Jesus e São Francisco, intuitivamente e como os grandes mestres. O fato de preferir os traços no lugar de leituras da bíblia e de textos teológicos provocou o seguinte comentário, vindo de um dos dirigentes do seminário católico: “ele só sabe e quer desenhar, levem-no embora que pode ser um artista”.
       Novas mudanças na adolescência e impulsos tomaram conta do artista emergente. A irmã Aparecida Sarro mudou-se para São Caetano, na Grande São Paulo, onde se casou. SARRO se entusiasmou com as possibilidades de uma guinada na vida espelhado na irmã. “Eu queria muito vir para São Paulo. Vim e fiz um teste para uma gráfica de cartazes de cinema”, diz o artista, que na época tinha 16 anos. As mudanças se concretizaram meses depois e toda a família se ajeitou numa pequena casa na cidade.
Os anos iniciais dessa fase não foram nada fáceis. SARRO e seu pai retomaram o ofício de pedreiros. “Levamos o cano de pessoas que nos contrataram... Tempos depois fui trabalhar na metalúrgica Favorita, o que levou apenas dois meses. Logo me cansei daquela rotina”, relata.

Meio caminho para a arte. Ofícios gráficos.
O interesse pela arte, no entanto, latejava insistentemente em sua cabeça. Paisagens distantes, os personagens em labuta no campo, os desenhos de criança, a solidão conventual, mudanças de endereço, o trabalho gráfico (notadamente a serigrafia) e a fatura artesanal obrigatória somaram-se. Tempos depois conseguiu, enfim, a ter uma orientadora artística. O embasamento que SARRO teve foi acadêmico. As bases para o artista estavam lançadas nesses anos germinais. As noções de construção/desconstrução bidimensionais começaram, assim, a ganhar contornos e autonomia. “Sem que buscasse objetivamente o ensino artístico ia encontrando pela frente os estímulos em casa e entre os profissionais”, diz. Nessa época, aos 18 anos, SARRO achava que um ano correspondia a um século. Tudo lhe parecia caminhar lentamente, exigindo sempre exercícios minuciosos e paciência descomunal para o que se dedicava. Era claro que nada se perdia. O repertório de pintor e escultor estavam assimilados.

Afrescos de Portinari. O impacto nunca esquecido
O ano de 1972 é marcante. A biografia do artista sofre uma reviravolta. O impacto se deu exatamente quando ele entrou na casa onde viveu Cândido Portinari (1903-1962), o museu na pequena cidade de Brodowski, interior de São Paulo. O que era um passeio informal e despretensioso, sem previsão para surpresas arrebatadoras, se transformou na guinada do SARRO desenhista e sonhador. O mestre o comoveu abruptamente. O impulso criativo foi acionado – por definitivo.
         “Fiquei arrepiado dos pés à cabeça. Disse para mim mesmo: vou pintar”. Dito e feito. É verdade que no começo SARRO vivenciou fases de sofrimento e rompimento. Pintou muito para testar as habilidades. Destruiu muita coisa - indignado por não chegar ao que desejava. “Pintei também muitas vezes sobre a mesma tela, até chegar ao que era satisfatório”. Exercícios de humildade e de uma arte sem facilidades. Para impulsionar o esforço empreendido SARRO adquiriu um livro sobre Portinari. As iniciativas começaram a refletir nessa virada. O artista passou a expor na feira de arte da praça da República, em São Paulo - etapa vencida através de um teste e uma licença concedida pela prefeitura. Na década de 70 o local era a alternativa para os artistas que não tinham acesso às galerias da cidade, mas que ganhavam boa visibilidade, já que parte dos visitantes e compradores eram estrangeiros interessados na autenticidade da arte brasileira. SARRO garantiu espaço e ficou por lá ao longo de 12 anos.

34 anos da carreira. Novo ciclo se fecham.
Perguntando ao artista sobre o seu futuro artístico, após 34 anos de atividade artística completadas em 2006, o artista dá seu depoimento: “Meu projeto agora é atingir o público de museus. Quero fazer uma reciclagem do que produzi até hoje. Quero outra pintura, numa outra fase, sem preocupação do que pode ser comprado pelas pessoas. Vou pesquisar e aprofundar ainda mais no que faço. O trabalho fica mais forte quando se pensa assim. O que faço me agrada. Mas não é o que o artista quer fazer exclusivamente para ele, sem qualquer preocupação com o gosto alheio. Já percebi as mudanças que estão acontecendo. Há elementos e materiais que não coloco mais na minha obra”. 

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